CEGEST - Centro de Estudos da Gestalt Terapia

 

 

   por Walter Ribeiro*

       

 

Agosto/2008

 

 

NOTAS PARA PENSAR

 

Seres em expansão e, por isso, expressando-se e percebendo o tempo todo. Regidos pelo princípio da “auto-preservação e do crescimento”;

Somos o que conhecemos e conhecemos o que temos PRONTIDÃO para conhecer.

 

Ainda. Bloqueamos boa parte do que percebemos/conhecemos. E, assim, passamos a não ter acesso à parte bloqueada.

 

Novos conhecimentos (acontecimentos) necessitam de “um visto de entrada” emitido pela prontidão (intelectual, emocional e espiritual) a fim de que possam ser assumidos e realmente assimilados e incorporados.

Por isso, Os erros fundamentais não são de entendimento e sim caracterológicos” (PHG);

 

Pelo mesmo motivo, “não há interações instrutivas”(Maturana);

 

E ainda, “ninguém ensina ninguém. O máximo que se pode é ajudar, criar condições propícias para o aprendizado ...” (Paulo Freire); Nosso grande problema: buscar essas condições.

 

Nossas Fronteiras de Contato  (nossas “alfândegas” externas e internas) permeabilizam-se, plastificam-se, tornam-se acolhedoras quando somos aceitos, qualificados e amados (sem julgamento valorativo); estreitam-se, fecham-se diante de atitudes judicativas, diante da prepotência, do controle, da coerção e da competitividade. Enfim, de todos os ingredientes de qualquer cultura de dominância, como praticamente o foram todas as conhecidas por séculos e séculos e como ainda é a Patriarcal à que permanecemos submetidos e que nos condiciona e rege e que, ainda assim e não paradoxalmente, ajudamos a perpetuar e fortalecer.

 

Quando as tentativas de dominação se repetem constantemente, como é o caso em nossa “educação”, o estreitamento ou fechamento de fronteiras se enrijece, solidifica-se. O sistema de defesas não pode confiar e a novidade não pode ser bem vinda;

 

Por isso, dizemos que o processo terapêutico se dá “com as resistências” e não “contra elas”. Elas estão cuidando de nós em um contexto visto e tido como inóspito e hostil, até prova em contrário. Prova passada e aprovada por nosso rigoroso e protetor sistema “alfandegário”.

 

É claro que idéias novas também ameaçam já que somos o que conhecemos;

 

A criação e desenvolvimento (recuperação?) da fluidez no saudável e mais ameno processo de abrir-se/fechar-se, de velar-se/desvelar-se em contextos vários, é a proposta de reaprendizado existencial que propomos;

Não é uma proposta simples de executar. Como dizia minha mãe:“ falar é fácil”.  

 

 

 


* Pioneiro da Gestalt Terapia no Brasil, Walter Ribeiro (CRP 01/0317) trouxe a abordagem para Brasília. Autor de vários textos sobre a teoria gestáltica, publicou seu primeiro livro em 1998, Existência - Essência – Desafios Teóricos e Práticos das Psicoterapias Relacionais, que será, em breve, lançado em inglês com o título Human Interactions - can we improve them?. É membro do Conselho Diretor do CEGEST e docente dos cursos de especialização.

 

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