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por Walter Ribeiro
Soubemos, por e-mail de Molly Rawle para Elisa e Enila, do falecimento de Irma Lee Shepherd, “an early student of Frederick Perls” escreve laconicamente o obituário do jornal citado, anunciando o “memorial service” para o dia 21 de março de 2010. Porque fiquei tão chocado e continuo com os olhos úmidos? Estive apenas uma semana em “Treinamento Residencial Intensivo” com ela. Porque significou e significa tanto para mim? Vinte e seis anos depois ainda vejo e sinto a sua forte presença: ela estava ali, inteira, proporcionando-nos (éramos apenas seis treinandos) um exemplo concreto, ao vivo e em carne e osso, de contato humano amoroso e não judicativo, convidando a um tipo de relação que, tenha o nome que tiver, pode realmente desencadear energias de liberação em relação aos nossos grilhões culturais e aos nossos pré-conceitos milenares; convidando-nos apenas com a postura a nos sentirmos “em casa”. É claro que preciso e sempre vou precisar do seu exemplo, o exemplo mais marcante que vi, de atitude, de jeito de ser humano, que constitui a parte mais essencial, mais importante e mais difícil de incorporar que a proposta gestáltica nos apresenta, por ser a que mais confronta nossas “verdades” e hábitos culturais. Aquela parte de que falamos, falamos... mas engolir e digerir... Continuo emocionado e orgulhoso de tê-la conhecido, de ser seu discípulo e, por isso, gostaria de continuar falando sobre minha admiração. Sinto, entretanto, que ela está me pedindo para calar e deixar que cada um siga com os próprios sentimentos e possíveis insights. wrr
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