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A Angústia Vista por Sartre: Aliada ou Inimiga?
por Neuza Zottmann*
A angústia, tema recorrente no encontro do terapeuta com seu cliente, aparece também em grau maior ou menor na vida de todos. Focalizando-a sob o ponto de vista do existencialismo, um dos pilares da Gestalt-terapia, faremos uma pequena viagem pelo pensamento apresentado por Jean-Paul Sartre, filósofo francês, e seu maior representante. Sua filosofia tem raízes principalmente em Kierkegaard, Husserl e Heidegger, tendo Husserl provocado grande impacto no pensamento de Sartre com a fenomenologia. A pessoa em sua singularidade, o ser existente, é a figura maior, central e única, fazendo da subjetividade a base desta filosofia onde as questões liberdade, da escolha, do projeto e da transcendência pessoal são tratadas em profundidade e apontadas como geradoras de angústia. Sendo o homem um eterno vir-a-ser, um ser de superação, sempre inacabado e jamais chegando a atingir todo o seu potencial, tem a angústia como companheira de viagem ao longo de sua existência, quando, através de escolhas, no exercício da liberdade, vai tentando cumprir o seu projeto obrigando-o a se encontrar. Abordaremos as idéias básicas da filosofia sartreana: a existência precede a essência (lembrando ser ateu o existencialismo de Sartre), a subjetividade (reinando absoluta), só o homem existe (devido a projetar ser possível apenas ao homem), temporalidade (a trajetória de uma pessoa é através do tempo), liberdade com responsabilidade (ponto fundamental do pensamento sartreano). Necessário dizer ser a liberdade a que se refere o filósofo não a de conseguir o que se quer, mas a de querer e escolher sendo esta liberdade devido ao nada que se é quando do nascimento; um nada criando a necessidade de um projeto para se fazer, obrigando o homem a uma tarefa contínua na busca de sua essência. Projeto por sua vez que leva a pessoa a ter que fazer escolhas resultando em angústia: a existência sendo possibilidade é também, angústia. Tudo isto motivando reflexões, procuramos respostas para algumas questões, tais como: em que consiste a angústia existencial, que influências sofreu o filósofo para que ele colocasse a angústia sob esta visão, até que ponto é possível considerar a existência do homem anterior à essência, será a angústia inata ao homem ou é adquirida ao longo da existência (onde ele se perde e se trai), quais os fatores que levam o ser existente à angústia, ele é angustiado porque é livre, e o papel do Outro em nossas vidas? Na tarefa de existir – onde “há um risco de ganhar-se ou de perder-se” – a angústia vista pelo fenomenólogo existencialista Sartre, sendo um elemento propulsor, conduzindo o homem, pela ação, a se fazer no cumprimento de seu projeto, poderá ser uma aliada. Cabendo então, o dizer de Sartre: “mais importante do que o que nos fizeram é o que fazemos com aquilo que nos fizeram”.
* Neuza Maria Miranda Zottmann foi membro atuante do CEGEST até a sua morte ocorrida em 12 de outubro de 2008, após pouco mais de um ano lutando contra um câncer. Este espaço é uma pequena homenagem que o CEGEST dedica à sua memória.
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