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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Dezembro2008
O CEGEST lança um novo curso de especialização em clínica em GT. No momento estão sendo agendadas entrevistas para fevereiro. O início do curso está previsto para maio. Desejamos conhecer os interessados no curso e desejamos também que eles nos conheçam. A especialização é uma parte importante na formação do psicólogo clínico. É onde teoria e prática se encontram e o trabalho busca aprofundar aspectos pouco tratados nas faculdades. Ainda mais, o CEGEST procura oferecer a cada um a oportunidade de verdadeiramente se “formar” como psicoterapeuta, tendo como fundamentos a filosofia, a teoria científica e a atitude terapêutica da Gestalt-terapia.
Ao final de cada ano, quase inevitavelmente, entramos no processo de avaliar ganhos e perdas no período. Novamente vivemos isso, agora em 2008. E foi doloroso constatar que partiram várias pessoas queridas da GT, em Brasília e no Rio. Fernando Horta Oliveira e Neuza Zottmann participaram ativamente da vida do CEGEST, através de seu trabalho, fidelidade e disponibilidade para nosso instituto e para as vidas de muitos de nós. No Rio, Sheila Orgler e Décio Piscinini também partiram, ambos subitamente: um enfarto e um atropelamento. Todos eles, de certa forma, continuam presentes na comunidade gestáltica, na lembrança de seus amigos e companheiros.
O Encontro Nacional de Gestalt-terapia se realizará no próximo ano, em Vitória, ES; fique atento para as datas de inscrição e apresentação de trabalhos.----- Selma Ciornai, uma das fundadoras do Instituto de Gestalt de São Paulo, escreve recomendando o livro DeSiguais, de Klecius Borges, Ed.Fábrica de Leitura; o tema é a atuação do psicoterapeuta no trabalho com gays, lésbicas e homossexuais ----- Rosane Muller-Granzoto, do Instituto Muller-Granzotto (Florianópolis, SC) relata o trabalho de um dos estudantes da especialização em clínica em GT junto às vítimas das enchentes em Santa Catarina; Neomar César tem estado em contato próximo com essas pessoas, em uma autêntica “intervenção gestáltica no campo da aflição”. ----- Lynne Jacobs, gestalt-terapeuta americana, conhecida dos brasileiros em diversas palestras em nosso país, convida para workshop residencial na California, em março de 2009; o tema será Relationality and the Challenge of Uncertainty.
A autora : Ana Beatriz B. Silva é conhecida psiquiatra carioca, especializada inicialmente em DDAHA e responsável por trabalhos nessa área (Mentes Inquietas). É autora também de outros livros, como o interessante Mentes Inquietas, sobre o TOC. Ela escreve direcionada para leigos, mas traz à tona aspectos que interessam também aos profissionais de saúde mental. Sua maior qualidade é ampliar os rígidos conceitos psiquiátricos, abrangendo quadros que encontramos comumente no trabalho clínico, muitas vezes sem reconhecê-los.
O livro: O título vulgariza o conteúdo do livro, aproximando-o perigosamente do gênero auto-ajuda. O tema mais importante, a meu ver, é tratar de comportamentos aparentemente “normais” que constituem um perigo para a convivência afetiva ou social. Os psicoterapeutas gestálticos não se apropriam de rótulos, por entender que cada caso é único e assim precisa ser visto. Entretanto, muitas vezes nosso olhar pode ficar embotado para aspectos que requerem ajuda psiquiátrica. Até que ponto confirmamos realmente os relatos de clientes que se sentem torturados (as) em relacionamentos fortemente adoecidos? Será que às vezes não os consideramos exagerados, dramáticos ou fantasiosos? Mentes Perigosas alerta seus leitores sobre a psicopatia: ela nem sempre envolve a flagrante violação criminosa das regras sociais, como espelhado diariamente na mídia. Na maior parte das vezes o psicopata escapa ao rótulo e vive normalmente, ainda que oferecendo perigo para aqueles com quem convivem. A autora desenvolve pouco o suporte teórico defendido, de que “há a participação de importante substrato biológico na origem desse transtorno”. Algumas pessoas nasceriam desprovidas de capacidade para o afeto. A tese, a meu ver, é discutível. Mas a autora não invalida a participação significativa que os fatores culturais têm na modulação desse quadro, ora inibindo, ora favorecendo seu desenvolvimento. No cap. 13 – Alguma coisa está fora de ordem – Ana Beatriz comenta que o extraordinário aumento da violência, diariamente estampada na mídia, se deve ao fato de “nossa sociedade estar fundamentada em valores e práticas que, no mínimo, favorecem a maneira psicopática de ser e viver.” Concluo que, apesar da restrições apontadas, trata-se de um livro útil para os psicólogos.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é
psicóloga clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é
uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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