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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Junho 2011
Após longo período ausente, retorno à coluna, contando com o interesse de vocês na vida do CEGEST, nas novidades da GT no Brasil e nos livros e filmes que surgem a cada momento.
A cada ano, o ITGT realiza em Goiânia um Encontro que reúne gestaltistas locais e de fora, assim como um grupo sempre numeroso de alunos que se especializam em clínica e outros interessados nos temas abordados. O pré-encontro de 2011 esteve a cargo de Michael Vincent Miller, PHD, conhecido psicólogo e escritor americano, muito conhecido em São Paulo e Brasília, onde deu cursos várias vezes. Formou-se um grupo no CEGEST que participou das atividades em Goiânia, a partir dos dias 19 e 20 de maio. As falas de MVM tiveram títulos curiosos: “Ensinando um Paranóico a Flertar” e “O Namoro no Cotidiano”. O primeiro tomou o nome do livro de Miller que será publicado em Nova York nos próximos dois meses, pela Gestalt News Press. Na verdade as duas falas se dirigiram a psicoterapeutas, mas se desdobraram em outros assuntos que tocaram de perto os participantes. O CEGEST está fazendo esforços para trazer Miller a Brasília no próximo ano. Vamos torcer!
Por ocasião do curso com Michael Vincent Miller em Goiânia, membros do CEGEST (Walter, Enila e Elayne) traduziram para o português o artigo “O Mito do Nós”, que trata da relação de casal. O autor é especialista na área, como demonstra em livro anterior, “Terrorismo Íntimo”; tem sido também psicoterapeuta de adultos e casais por muitos anos. O comentário habitual do “livro do mês” focaliza este artigo.
Em continuidade ao CICLO DE PALESTRAS/CURSOS NO ENFOQUE GESTÁLTICO, realizou-se (28/29 de junho) o mini-curso “Cirurgia da Obesidade, processo cirúrgico e o lugar da psicoterapia no pré e pós-operatório”. Temos procurado diversificar os temas escolhidos para o CICLO, entendendo que o campo da psicoterapia é cada vez mais abrangente. Já é comum recebermos clientes para avaliação da oportunidade dessa cirurgia e da necessidade de acompanhamento. O curso foi uma sucesso, segundo a opinião dos que estiveram presentes Vale a pena estar atento(a) às notícias no site sobre nossas atividades.
No próximo dia 17 de junho, WALTER DA ROSA RIBEIRO estará conversando com um grupo sobre um de seus mais recentes textos, Prontidão. Ele escolheu esta modalidade de apresentação - o Bate-Papo – para expor suas idéias e estabelecer uma troca com os participantes. As vagas são limitadas. Faça contato com a secretaria do CEGEST: 3274-0061.
O autor, nome importante na GT mundial e muito conhecido no Brasil, é também um especialista na teoria e prática da relação a dois. No artigo que ora comentamos ele retoma o tema de seu livro Terrorismo Íntimo, enfocando aspectos significativos da relação a dois. Mais uma vez, ele se preocupa com o mito do amor romântico que, por si só, não prepara as pessoas para a realidade da vida a dois. Assinala que vivemos através de nossas estórias: “As melhores estórias começam com nossas aspirações, porém nos deixam com admiração e mistério. Elas insistem em que vivemos um mundo difícil, cheio de obstáculos a nossos desejos, ao nosso querer. Deixam claro que vivemos no tempo, que há desapontamentos, enganos e malogros no caminho, que decaímos e morremos”. (p. 2)
O “Mito do Nós” se refere à fundamental necessidade humana de união com o outro e de necessitar da certeza do seu amor. E o autor pergunta: Por que isso é tão difícil? A partir dessa indagação ele percorre um caminho que se inicia com o nascimento do bebê e sua relação com os pais, em que poderá ou não receber o cuidado e o carinho de que necessita. É o momento em que começa a viver a ansiedade de abandono, que o acompanhará em outras relações. Depende dessas primeiras relações o sucesso de seu esforço para adquirir autonomia e aprender a dizer não. Trata-se de tarefa difícil, que o acompanha em todas as suas relações futuras. Miller se apóia nesse processo para observar a tendência da pessoa a uma fixação que o levará à confluência nas relações a dois. A convivência em relações duradouras faz surgir a polaridade, usualmente presente, de medo de abandono X medo de engolfamento. Como tanto o homem como mulher participam desse processo, eles muitas vezes caminham para um “desencontro marcado”. O autor descreve também como os dois entraram nesse difícil caminho, a partir do Mito de Adão e Eva. Em relação a seus papéis na pós-modernidade, ele comenta a necessidade do homem de estar sempre buscando a mãe nas várias mulheres que passarão por sua vida. Deplora o machismo que ainda prevalece nos dias de hoje. O resultado é a violência e vitimização da mulher que a ele não se submete. Concluindo, Miller observa: ”........os homens necessitam de um movimento próprio para ajudá-los a aprender a se livrarem psicologicamente de seu desesperado apetite de ódio/amor por mães. Assim poderíamos finalmente ser capazes, como cultura, de imaginar estórias de amor baseadas em um melhor equilíbrio entre a rendição a um espírito coletivo e a decisão de não se inserir nele.”
Recomendo o artigo aos profissionais da área e a todos os interessados nas relações de gênero.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é
psicóloga clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é
uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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