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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
Enila Chagas *
Um espaço de comentários e notícias sobre publicações, palestras, seminários e acontecimentos de interesse para nossa comunidade. Contamos também com a colaboração e as opiniões dos visitantes virtuais.
Fevereiro 2010
O CEGEST se une em torno de Irma de Assis no triste momento da perda de seu marido e companheiro de muitos anos. Flavio Gouveia Ferreira, vitimado por doença cardíaca em janeiro último, foi um amigo fiel do CEGEST, atento a sua história, dificuldades e sucessos. Ele acompanhava Irma muito de perto em sua trajetória de psicoterapeuta, coordenadora de cursos e ativa participante do grupo. Diretoria e sócios manifestam o desejo de dar a ela o suporte e o carinho possíveis neste momento.
Já foram reiniciados os cursos de especialização do CEGEST. O curso iniciado em outubro passado (2009) ainda tem duas vagas, abertas apenas até o início de março (dia 10). A partir dessa data estaremos fazendo reservas para o próximo curso (2010).
Chega aos assinantes brasileiros o último número do IGJ. Publicado em Nova York, a revista traz artigos de autores americanos e de outras partes do mundo sobre aspectos diversos da GT. Esta edição apresenta uma longa entrevista com Violet Oaks, autora amplamente conhecida como uma das criadoras da GT usada com crianças. O restante da publicação é dedicada ao mesmo tema: psicoterapia infantil. Cito os dados para os leitores da língua inglesa que se interessem em assinar o IGJ.
Dois números anuais (spring/fall) = US$ 50.00 (printed) ou US$ 30.00 (compact disk); igjournal@gestalt.org; www.igjournal.org
A publicação de livros de gestaltistas brasileiros é motivo de alegria. Precisamos ainda e sempre de escrever e publicar mais, como forma de divulgação da abordagem gestáltica e de contribuição para a psicoterapia praticada no país. Ao final de 2009 surgiram dois títulos novos, de autores formados em Goiânia e Brasília. Danilo Suassuna e Adriano Holanda assinam “Histórias” da Gestalt-Terapia no Brasil – Um estudo historiográfico (Juruá, Curitiba, 2009). O livro originou-se em tese de mestrado apresentada por Suassuna na Universidade Católica de Goiás (2008) e orientada por Holanda. Os autores se basearam em entrevistas das principais figuras da implantação da GT no Brasil, com numerosas citações e opiniões. A metodologia adotada preservou o caráter historiográfico da obra, com o respeito às várias leituras dos entrevistados sobre “como” tudo aconteceu. O outro livro é “Experiência de Adoecimento e Morte – Diálogos entre a pesquisa e a Gestalt-terapia” (Juruá, Curitiba, 2009). Trata-se da tese de doutorado apresentada na UnB por Joanneliese de Lucas Freitas, revista para publicação. Cabe observar que a autora fez especialização no CEGEST e anos depois, já Mestra e Doutora, lecionou em seus cursos. Segue-se comentário.
A profundidade e abrangência do texto citado levam o leitor a mais de uma leitura, a fim de captar bem aspectos destes “diálogos” a que se refere a autora. A partir do fio condutor da pesquisa qualitativa (explicitada e defendida no capítulo V (p. 77/87) realizada em um hospital público, a autora apresenta um estudo de caso com uma pessoa em estado terminal. Analisa as mudanças na subjetividade ocorridas neste momento da vida que se esvai. Tomam novo sentido as relações com as pessoas que a cercam: a equipe do hospital, a família, o psicólogo, e principalmente o próprio corpo atingido pela doença. Este relato é precedido de investigação teórica consistente (Freud, Kovács, Kübler-Ross e outros) sobre a morte o morrer (capítulo III). Indo mais além, os aspectos citados se prendem a um pano de fundo maior, em que é delimitado um campo – a subjetividade – em que é discutido pertinente diálogo com a Gestalt-terapia. A autora diz (p.30): “Na teoria de Gonzalez Rey (1997a), assim como na gestalt-terapia (Perls, Goodman & Hefferline, 1951/1997), o homem constitui-se e (re)configura-se a todo momento por meio da cultura, bem como construindo os espaços culturais a que pertence por meio de rupturas ou do movimento de criação de novas figuras, novos todos significativos”.
Também é explorado, teóricamente e na prática do encontro clínico, o conceito de relação dialógica do ponto de vista da Gestalt-terapia. A figura do psicólogo, na dupla vivência de pesquisador e psicoterapeuta, é de interesse para os profissionais dessas duas áreas.
Recomendo o livro como leitura instrutiva e como fonte de referências dos temas citados.
* Enila Chagas (CRP 01/631-5) é psicóloga
clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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