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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Abril/2008
Já é tradição em Brasília o recesso de atividades durante janeiro e parte de fevereiro. O CEGEST não parou, ocupado com a organização do novo Treinamento em Clínica em Gestalt-Terapia, que iniciou no dia 17 de março. Toda a equipe docente está envolvida nesse trabalho. A cada vez, é necessário refletir e discutir sobre o que foi feito nos cursos anteriores e fazer um projeto para o novo grupo. A coordenadora dessa turma será Irma de Assis; Sabrina Tardin atuará como monitora.
Alunos do CEGEST do último ano do Treinamento em Clínica em Gestalt-Terapia prestam serviço à comunidade através de atendimento gratuito. Trata-se de trabalho individual, supervisionado por experientes psicoterapeutas do CEGEST, que visa dois objetivos principais: (1) cumprir a exigência da parte prática do curso; (2) atender, dentro do possível, a uma pequena parcela da população necessitada de tratamento psicoterápico. A Clínica está sob a direção de Rosane Correa, acompanhada de competente equipe.
O sentimento de culpa é explorado em profundidade no aclamado romance “Reparação”, de Ian McEwan (Companhia das Letras). O próprio autor é o roteirista de Desejo e Reparação, em que a historia é levada ao cinema. Do ponto de vista gestáltico, é possível observar como o tema se torna uma “figura” forte, que acompanha a vida de um dos personagens até sua morte. Questiona-se também o poder do escritor ao lidar com o real, recriando-o a partir de suas necessidades. O filme ainda está passando nos cinemas de Brasília.
Alucinações Musicais – Relatos sobre a música e o cérebro. Chega ao público brasileiro mais um livro de Oliver Sacks, neurologista inglês radicado nos Estados Unidos. Ele é nosso conhecido através de várias obras de sucesso: Um Antropólogo em Marte, Tempo de Despertar, Vendo Vozes, O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu e outras. Abordando temas tão diferentes, o autor mantém uma posição firme no sentido de acreditar na medicina que humaniza o paciente e tenta integrar, na clínica, as dimensões psicológica, moral e espiritual. Nesse sentido, sua posição é semelhante à da Gestalt-terapia: o homem é um ser em que mente e corpo formam um todo integrado. Ainda mais, Sacks se coloca sem a pretensão de tudo saber e tudo explicar, mostrando que a ciência não consegue abarcar por inteiro a complexidade humana. Em Alucinações Musicais ele traz, inicialmente, historias de pacientes que, após sofrerem traumas físicos (como serem atingidos por raios durante tempestades) tiveram sua percepção musical totalmente modificada. Seguem-se muitas outras historias em torno da relação entre a música e a neurociência. Eles adquiriram extrema sensibilidade para a música. Algumas pessoas, inclusive, se tornaram artistas. Partindo de relatos que parecem por vezes fantásticos, o autor traz material que são verdadeiras aulas sobre amusia e desarmonia, música e cegueira, música e amnésia, música e depressão, etc. A parte 4 do livro interessa especialmente aos psicólogos: Emoção, Identidade e Música. Oliver Sacks faz ainda a análise da importância da musicoterapia em determinados casos. Recomendo a leitura, principalmente àqueles que vivenciam a música como parte importante de suas vidas.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é psicóloga
clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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