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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Agosto/2007
O CEGEST está programando eventos para todos os meses do segundo semestre. Serão convidados os alunos e ex-alunos dos cursos de especialização. Também serão bem vindos membros da comunidade que se interessem pela Gestalt-terapia. Esses eventos pretendem divulgar a produção recente de Brasília na GT. O mais importante é que eles abram oportunidades de encontros entre pessoas com crenças que se tocam.
O CEGEST pretende ativar a interação com sócios, alunos, ex-alunos, etc. É importante para o Centro receber notícias – boas ou ruins – de como nossas atividades estão sendo recebidas. Isto ocorre através do ombudsman, membro da Diretoria encarregado de responder àqueles que tenham algum questionamento. Na atual Diretoria, os interessados devem se dirigir a Fernando ou Rose, pelo e-mail: ombudsman@cegest.org.br
O estudo da psicologia não se restringe ao material teórico específico da área. Cada vez mais sentimos que fazemos parte de um mundo maior, que extrapola o meio em que estamos diretamente inseridos. Surge a necessidade de contato de uma forma mais ampla, até mesmo para nos posicionarmos em relação a nós mesmos. A internet é uma opção para isto. Mas não podemos nos esquecer de outros veículos, como filmes e livros que despertam indagações pertinentes ao viver no século XXI. Como exemplo, cito os filmes Babel, Crash e O Segredo de Brokeback Mountain , todos eles tratando do tema preconceito. Também indico livros instigantes para o leitor: A Distância entre Nós (Thrity Ungar), A Euforia Perpétua - Ensaio sobre o Dever de Felicidade (Pascal Bruckner) e História do Amor no Brasil (Mary Del Priori).
Ainda no tema da nota anterior – preconceito – cito importante observação de Mark Macconville em seu artigo The Gift (O Presente), que faz parte do livro The Bridge - Dialogues Accross Cultures (2005), editado por Tália L. Bar-Yoseph e publicado pela Gestalt Institute Press. O autor comenta a dificuldade que temos em entrar em contato com nossos preconceitos, já que eles fazem parte do “fundo” representado pelo ambiente em que nascemos e fomos educados, e são típicos do grupo social a que pertencemos. Esses preconceitos surgem como “figuras” que às vezes nos surpreendem, pela falta de conhecimento/valorização do “fundo”. O autor alerta para o perigo de sermos preconceituosos a partir de elementos do “fundo” que estão, até o momento, abaixo de nossa awareness.
Os Desafios da Terapia – Reflexões para
pacientes e terapeutas O autor - outras vezes recomendado nesta sessão – praticou inicialmente a psicanálise, mas passou aos poucos a se construir como terapeuta na “psicoterapia existencial”. Já no final de sua carreira, expressa através desse livro sua preocupação com os atuais caminhos da psicoterapia. Cito palavras suas: “Portanto, preocupo-me com a psicoterapia – sobre como ela poderá ser deformada pelas pressões econômicas e empobrecida por programas de treinamento radicalmente abreviados. Ainda assim sou otimista e espero que, no futuro, uma coorte de terapeutas oriundos de uma variedade de disciplinas educacionais (...)continue a se dedicar a um rigoroso treinamento em nível de pós-graduação e, mesmo sob a pressão da realidade das empresas de seguro e assistência médica, encontre pacientes desejosos de mudança e crescimento dispostos a assumir um compromisso aberto com a terapia.” Partindo desta preocupação, Yalom faz uma abrangente descrição, em que a postura do terapeuta se assemelha muito à dos praticantes da Gestalt-terapia. Assim, ele defende o suporte do terapeuta ao cliente em todo o decorrer do processo, o perigo do diagnóstico que aprisiona o cliente em um rótulo, a especificidade de “uma terapia para cada cliente”, a empatia que possibilita ver o mundo com os olhos do cliente, e muitos outros aspectos ainda. Não há aprofundamento de cada um dos temas tratados nos 85 pequenos capítulos. Na verdade, ele traça uma visão panorâmica da psicoterapia, mas o faz com autenticidade e inteligência. Seu trabalho representa um alerta para a complexidade da prática da psicoterapia . Por outro lado, o terapeuta que lê o texto pode “acordar” para aspectos esquecidos ou nunca estudados e se dedicar a explorá-los, de acordo com suas necessidades pessoais ou profissionais. Recomendo a leitura de Os Desafios da Terapia.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é psicóloga
clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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