|
|
|
|
|
Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Março/2006
Será publicado em Nova York com o título Human interactions - can we imporve them?, o livro “Existência → Essência – Desafios Teóricos e Práticos das Psicoterapias Relacionais”, de Walter Ribeiro. O livro traz uma apresentação de Lynne Jacobs, conhecida gestaltista californiana, com diversos cursos dados em nosso país. Cabe lembrar que a edição brasileira é da Summus Editorial (1998).
É animador para os gestalt-terapeutas perceber que nossa abordagem vai cada vez mais longe, em termos geográficos e de qualidade. Além dos já numerosos centros de estudo e prática nas Américas, Europa e Ásia, estamos também na África. Em janeiro de 2.006, Michael V. Miller, que repetidas vezes deu cursos no Brasil, esteve trabalhando na Ilha da Reunião, na costa do continente africano, onde encontrou uma comunidade bem estabelecida de seguidores da Gestalt Terapia.
As novas diretrizes do Conselho Federal de Psicologia, com exigência de monografia ao final dos cursos de especialização, certamente darão um impulso na produção de textos escritos na área da Gestalt Terapia. Também o espaço virtual, como o site do CEGEST, permitirá o acesso de profissionais a artigos e trabalhos até agora pouco conhecidos. Só então poderemos avaliar qual é realmente nosso acervo bibliográfico. Sem dúvida isso trará incentivo para o surgimento de novo material.
O site do CEGEST é um passo importante em nossas relações com os internautas da psicologia e com outros institutos e centros de estudo. Nosso programa se torna conhecido para aqueles que se interessem em participar de cursos e atividades. Artigos mensais de nossos profissionais estarão acessíveis a todos. Este mês estamos apresentando
Na Gestalt Terapia, cada vez mais acreditamos que os significados trazidos pelos clientes fazem parte do contexto em que foram produzidos. É o ‘fundo’ que nos permite perceber a boa forma das ‘figuras’ trazidas à psicoterapia. Isto sugere a ampliação de nossos horizontes em relação aos vários contextos em que os fenômenos ocorrem. É interessante a leitura de obras produzidas por autores de outras vertentes, notadamente das ciências humanas. Aqueles que lidam com freqüência com temas dominantes no relacionamento homem/mulher certamente se beneficiarão da leitura de “Amor Líquido-Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos”, do sociólogo polonês Zigmunt Bauman. É uma publicação da Jorge Zaar Editora, com 190 páginas.
Livro do Mês “A Cura de Schopenhauer” Irvin D. Yalom Ediouro (2.005) – 334 páginas
Irvin Yalom, psicólogo e escritor americano, conhecido pela publicação no Brasil de “Quando Nietzsche Chorou”, retoma o mesmo tema – o processo de cura – neste novo livro. Desta vez o faz de forma mais direta, através da figura de um psiquiatra já idoso que se indaga se seu trabalho teria feito alguma diferença nas vidas de seus clientes. Sabendo que é portador de uma doença fatal e que está no final de sua carreira, ele procura um cliente que ficou em sua lembrança como um fracasso terapêutico, ocorrido há cerca de vinte anos. Para sua surpresa, o cliente se diz curado. Atendendo à descrença e curiosidade do terapeuta, ele relata que se curou através do contato com a filosofia, basicamente com a leitura da obra de A. Schopenhauer, filósofo europeu nascido no final do século XVIII. Duvidando desse relato, o psiquiatra convida o ex-cliente a fazer parte de uma psicoterapia de grupo já em andamento. Os embates entre os diversos membros do grupo, alterado pela entrada de uma pessoa nova e de difícil acesso, servem de fundo para reflexões sobre o que é cura e se é possível ver com clareza o processo de mudança de cada um. Os capítulos relatando a terapia do grupo se intercalam com outros dedicados à vida e a fragmentos do trabalho de Schopenhauer, formando uma teia rica de fatos e conceitos que poderá mobilizar aqueles que trabalham com psicoterapia, assim como o público em geral que se interesse pelo tema. O livro é um bom lembrete para nós, profissionais, de que somos apenas uma parte da cura (termo de significado passível de discussões) do outro, e que a complexidade desse processo deixa em aberto profundas indagações.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é psicóloga
clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
|
|
CEGEST - DF ® - Todos os direitos reservados - www.cegest.org.br |