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Gestalt - Aqui, agora e mais além Notas e Notícias
por Enila Chagas*
Maio/2006
O site www.candangogestalt.com.br traz informações sobre como participar do II Encontro Candango. É bom lembrar que os resumos dos trabalhos devem ser enviados até 30 de junho para apreciação da comissão científica. Conheça os detalhes no site e anime-se a participar!
O relacionamento homem/mulher tem sido, cada vez mais, tema de novos livros brasileiros e estrangeiros. É discussão que envolve autores e leitores: somos seres sempre em relação. E as dificuldades trazidas pelas mudanças velozes de nosso tempo nos levam de volta a F.Perls. Como lidar com a intensidade desse novo? É possível ficar alheio a ele? Ou será que o “engolimos” sem mastigar? Não seria saudável assimilar o novo que nos nutre? É reflexão que atinge particularmente os psicoterapeutas, tanto como pessoas quanto no trabalho diário em torno do assunto.
Pesquisas científicas recentes têm investigado (através da ressonância magnética e outros meios) as reações cerebrais de pessoas apaixonadas. Os resultados desses trabalhos nem sempre coincidem: há alguns que ousam marcar datas para o fim da paixão: a persistência dessa forte emoção depois de 12/18 meses poderia ser considerada uma forma de patologia. Estariam sendo mobilizados os mesmos neurônios identificados em algumas “doenças”. Cuidando para não se identificar com “crenças” apressadas de cientistas e da mídia, é interessante acompanhar a investigação de dados que possam ser corroborados na prática clínica. O livro Por que Amamos – A natureza e a química do amor romântico, de Helen Fisher (Record) tenta integrar neurociência e amor.
É imperdível o documentário Quem Somos Nós? Realizado com ótimos recursos técnicos, o filme nos desafia a refletir. Usando a ciência como ponto de partida, mostra a complexidade e a riqueza do funcionamento do cérebro do homem. Mais ainda, a obra evolui na direção de questões profundas, como sentimentos, crenças e indagações filosóficas.
Livro do mês
Não Perceberás – Variações sobre o tema do
paraíso. Alice Miller tornou-se mundialmente famosa com a publicação de O Drama da Criança Bem Dotada. Após clinicar como psicanalista por vinte anos, dedicou-se a pesquisar a respeito da infância, publicando vários outros livros sobre o assunto, que aos poucos vão sendo traduzidos para o português. Toda sua obra reflete uma veemente defesa da criança diante do poder do adulto, desde os pais até a sociedade como um todo. Não Perceberás, escrito ainda na década de oitenta e agora reformulado, traz a sustentação teórica da autora para seu abandono da teoria do drive da psicanálise em favor da teoria do trauma. Ao inserir-se no relacional como fundamento do desenvolvimento infantil, A. Miller, coerentemente, aborda a nova visão de conceitos consagrados como o do complexo de Édipo, no artigo Édipo – a criança culpada. Ela questiona também o verdadeiro sentido de “sexualidade infantil” e faz a releitura de “verdades” sobre a relação criança/pais. A autora se dirige ainda, de forma direta, à postura dos analistas (no caso abrangendo também os psicoterapeutas) e critica a pedagogia “venenosa” muitas vezes implícita neste trabalho. Enfatiza também, entre outros aspectos, a necessidade de eles serem defensores de seus clientes. Embora a autora tenha livros mais recentes, Não Perceberás mantém sua validade para os profissionais da psicologia, seja na área clínica, seja na educacional. Alice Miller foi muito bem recebida por boa parte dos psicólogos brasileiros, inclusive gestalt-terapeutas. Ao olhar o desenvolvimento da criança no contexto das relações, as teses da autora se tornam úteis para a Gestalt-Terapia. Trata-se de um bom suporte para a identificação das interrupções e fixações ocorridas na infância e suas futuras conseqüências. É a qualidade (ou falta de) do contato na fronteira, portanto na vivência das relações, que está presente na formação do self. Recomendo a leitura.
* Enila Chagas
(CRP 01/631-5) é psicóloga
clínica, membro da Diretoria e docente dos cursos do CEGEST, do qual é uma das
fundadoras. “Viciada” em livros, ousa assinar esta coluna.
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